sexta-feira, maio 23, 2014

Visualizações

Bem, pessoal, chegamos a 30 mil visualizações! Puxa, nem acredito! São oito anos desde o primeiro post. Este espaço foi remodelado inúmeras vezes durante essa travessia. Como uma espécie de marco, compartilho com vocês este vídeo em que eu apresento um canal para a divulgação literária.



Além deste vídeo, há outros no canal, algumas experimentações que fiz nos últimos meses. Nada muito pretensioso. Afinal, meu objetivo continua sendo o universo da palavra escrita.

segunda-feira, maio 19, 2014

O Medalhão e a Adaga viajando por Belo Horizonte



Não posso negar que aqui seja a minha casa. Apesar de não ter nascido aqui, foi nesta cidade, Belo Horizonte, que tive a maior parte de minha história. Minhas principais conquistas literárias foram celebradas na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de BH, onde trabalho.

Assim, depois de começar a campanha Leitores Inquietos e o projeto Livro Viajante (1910), decidi começar um novo projeto, que já está a todo vapor. É um tour literário, mas local. Ao invés de fazer a obra passear por várias cidades, o objetivo é fazer O Medalhão e a Adaga passear por Belo Horizonte, nas mãos de blogueiros literários.

Ao final do projeto, os participantes votarão uma biblioteca pública que receberá o exemplar utilizado. Será uma forma de divulgar todos os blogs que participaram, pois cada um deverá informar o link do seu blog na folha de rosto do livro.

O exemplar já foi entregue à primeira pessoa da lista, a Alessandra, do blog leiturasdalele.blogspot.com.br. Há outros blogs inscritos, mas quem quiser participar, ainda tem jeito! Basta preencher o formulário aqui. As inscrições deverão ainda ser aprovadas.

Por fim, lembro que este projeto em especial vale apenas para blogueiros que morem ou trabalhem em Belo Horizonte e desejo a todos os participantes uma ótima leitura!

quarta-feira, maio 14, 2014

Para além



Um dia, vou levantar cedo, colocar três mudas de roupa na mochila, quatro cadernos em branco, três canetas. Não levarei carteira. No bolso, apenas a identidade. Vou trancar o apartamento e deixar a chave com o vizinho. Sem desconfianças ou receios. Terei comigo um boné, uma garrafa de água e um tubo de filtro solar. O calçado será forte, assim como o jeans que eu estiver usando. Deverá ser um dia de calor numa época quente, talvez dezembro, mês onde anoitecem as coisas. Não levarei um livro sequer. Nem celular. Estarei completamente fora de área. Sei que o primeiro passo será talvez o mais difícil, mas também o fundamental, libertador. E ao chegar até a calçada, caminharei para além daquele ponto longínquo, daquela montanha sonhada. Caminharei para além dos limites de meu desejo.

sábado, maio 10, 2014

Mulher e Mãe

Ela era mulher. Era mãe. Brasileira, na casa dos 30, uma pessoa ainda jovem. 
Ela era mulher, era mãe.
Bastou duas imagens e um punhado de palavras para que sua vida fosse selada. Cada imagem transformada em dez mil, vinte mil, cinquenta... Suposto rosto, morte certa.
Ela não era Maria da Penha, mas era mulher, era mãe. Sua imagem foi exposta, tornou-se ícone da violência. Foi vítima. Seu corpo foi exibido em imagens pesadas, terríveis, usadas para saciar a curiosidade mórbida de muitos. Sua tentativa final de ter voz foi gravada, seu rosto ferido, mutilado, cresceu na tela, mas sua voz era tão mínima que quase não podia ser ouvida. E mais uma vez, uma mulher morreu.
Não foi uma menina queimada em um ônibus, ou uma cabeleireira morta pelo companheiro. Não foi a amante de um jogador ou uma atriz em ascensão, ou a garotinha sequestrada. Foi uma mulher que como tantas outras corre o risco de se tornar um mero número de estatística.
Ela era mulher, era mãe.
Até quando vamos deixar que esse sistema perverso continue matando, mutilando e calando nossas mulheres? Até quando continuaremos propagando o machismo, o falocentrismo, a violência contra as minorias? Até quando vamos continuar perpetuando nossa covardia, nosso silêncio, nossa cumplicidade? Até quando vamos deixar que pessoas continuem a ser transformadas em números?
Ela era mulher, era mãe. Sim, ela era uma que, como tantas outras, foi imolada, vítima da estupidez do HOMEM.

Texto originalmente publicado no Facebook.

terça-feira, maio 06, 2014

Percursos da escritura

Ainda em sintonia com o post anterior, resolvi relatar aqui meus atuais percalços como escritor aprendiz. Sim, aprendiz, pois ainda que eu acredite que esta palavra seja tácita ao ofício de escrever, por vezes é bom deixá-la clara e expressa. 
Sou um aprendiz.
Hoje tive uma experiência muito valiosa. Pela primeira vez enviei meu livro pelo correio para pessoas que o compraram à distância. Foi mais simples do que imaginei. Os depósitos foram feitos, eu segui para a agência dos Correios durante o horário do almoço com quatro exemplares envolvidos em plástico bolha e devidamente autografados. 
Estava tão eufórico que fiquei puxando conversa com o atendente da agência, comentando sobre os infortúnios de se escritor em um país como o nosso e mencionando as pequenas alegrias que trazem grandes recompensas. 
Um dos exemplares foi enviado ao meu amigo escritor Maurício Kanno, numa iniciativa de trocar exemplares com autores amigos. Confesso que fiquei muito feliz com a resposta do Maurício, quando propus o escambo. Seu romance, A Menina que Ouvia Demais, foi lançado pela Editora Multifoco, o que significa que nossos livros são colegas de editora. 
Agora, tenho buscado retornar ao meu exercício contínuo de escrita. Antigamente este blog era o principal vetor deste exercício. Contudo, a minha visão mudou um pouco. Constatei que minha escrita precisa de aprimoramento e por isso decidi escrever mais, embora não necessariamente para publicação.
Quem acompanha este espaço há mais tempo pode comprovar que eu atualizava diligentemente com pelo menos três atualizações mensais. Ao publicar o meu primeiro romance, porém, as coisas mudaram. Precisei me concentrar na divulgação do meu livro e infelizmente este blog ficou em segundo plano.
Agora estou de volta, com um foco voltado mais para a reflexão sobre o processo de escrita, bem como sobre meus planos para o futuro. Bem, é isto.

domingo, maio 04, 2014

Aprendendo com os tombos e voltando a escrever...

Bem, pessoal, sei que tenho negligenciado um pouco este espaço. Ainda que não seja o único motivo, a divulgação do meu livro O Medalhão e a Adaga tem tomado praticamente todo o tempo livre. Além disso, tenho relacionamentos a cultivar, com a namorada, com os amigos e a família. Infelizmente, escrever acaba sendo uma atividade relegada a segundo plano.
Contudo, quero que fique bem claro que a escrita continua sendo minha grande paixão e um objetivo que persigo continuamente. Assim, embora eu não atualize este espaço com a frequência que desejo, continuo exercitando minha escrita de outras maneiras. Inclusive na divulgação do livro. Além disso, tenho trabalhado em outro projeto literário. Trata-se de um livro infanto-juvenil que está em fase de revisão. Busquei falar pouco desse projeto para não acumular expectativas, tanto em mim quanto nos leitores. Dessa forma, quando a publicação tiver data certa, terei o prazer de divulgar aos quatro ventos.
Mesmo que eu tenha buscado exercer a escrita, algo me incomoda há tempos. Quando li a resenha que a Fernanda Reis fez do meu livro, constatei que ela começava o texto comentando um pouco sobre uma narrativa que tenho aqui no blog, O Viajante Cinzento. Senti um pouco de culpa por ter abandonado a história, principalmente quando esta caminhava para o seu desfecho. 
Abandonei O Viajante Cinzento porque, levando-se em consideração de que o enredo já se encontra na segunda parte do capítulo 9, não há sequer um comentário na última postagem, datada de 30 de setembro de 2013. Ninguém lamentou a descontinuidade ou cobrou por uma atualização. Houve apenas silêncio.
Além disso, tenho encarado altos e baixos na divulgação de O Medalhão e a Adaga. O último tombo foi ontem, dia 3 de maio de 2014, quando procurei realizar uma sessão relâmpago de autógrafos. Essa atividade é iniciativa da campanha Leitores Inquietos. Permaneci durante uma hora na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, com exemplares para vender. Cada comprador ganharia também um DVD com episódios de animes. Além disso, a primeira pessoa que se aproximasse e dissesse bem alto "sou um leitor inquieto" ganharia na hora um exemplar do livro Mentes Inquietas, da Editora Andross. Fiquei entre 14h e 15h aguardando algum interessado, mas não houve sequer um leitor. 
Esse "tombo" me fez ponderar. De fato eu amo escrever, vivo da escrita. Digo isso em um aspecto mais figurado, pois embora eu viva da literatura, não é a minha literatura que me sustenta financeiramente, mas a dos outros, dos autores consagrados em editoras, bibliotecas e universidades. Quando afirmo que vivo da escrita, é porque não há como continuar vivendo sem poder escrever.
Essa necessidade tem um outro lado. Eu escrevo para mim, mas também para o outro. Ser lido também me alimenta espiritualmente. 
Por isso, decidi aplicar meu compromisso com a escrita também na continuidade do projeto O Viajante Cinzento. Vou retomar o enredo desta narrativa para concluí-la. Porém, resolvi criar algumas condições para esse projeto. Trata-se de um exercício pleno de escrita, um laboratório de ficção. Então, seu principal motor serão os leitores. Quero estimular os leitores a estimularem minha escrita. E esse estímulo funcionará com pequenas condições que irão surgindo a cada nova postagem. A primeira condição que deixo aqui é a de que para dar continuidade na narrativa, o post A Cidadela - Parte II de IV deverá ter ao menos um comentário novo. Somente assim continuarei contando as peripécias de Seridath e seus amigos.
Sei que essa decisão parece um pouco radical. Ela, porém, traduz todo esse desejo de que as histórias servem para ser contadas e um contador de histórias só existe se tiver ouvintes.
Conto portanto com a ajuda dos leitores do blog para dar continuidade a esse projeto pelo qual tenho tanta estima. 

quarta-feira, abril 30, 2014

Campanha Leitores Inquietos






Não perca!
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terça-feira, abril 22, 2014

Você é famoso?

Manhã árdua na biblioteca da Escola Municipal Moysés Kalil. Árdua mas compensadora. Uma experiência única como cada visita que faço. 
Enquanto conversava com os jovens leitores, fui perguntado por uma estudante se eu era famoso. Foi uma cena bem engraçada. Coincidentemente, uma menina entrou na biblioteca para devolver um livro. Interpelei-a:
"Moça, você pode me responder uma coisa?"
"Sim, claro!"
"Você já ouviu falar do Samuel Medina?"
"Não..."
Virei-me para a moça que havia perguntado e disse: "Acho que essa demonstração responde sua pergunta..."
Ela então que ela deu um sorriso e disse:
"Vou pegar um autógrafo seu, pra quando você ficar famoso..."
Ganhei o dia! 

quarta-feira, abril 16, 2014

Reflexos do instante

Caiu um tremendo temporal por aqui. Aproveitei a oportunidade e apaguei todas as luzes de casa. Retirei todos os equipamentos da tomada. Fui à janela, abri uma fresta, pois estava chovendo muito forte. Por alguns instantes, fiquei observando os relâmpagos riscando o céu, as árvores executando sua dança misteriosa e as nuvens pranteando suas fúrias.
Depois de ficar com o rosto molhado, fechei a janela e me deitei. Os relâmpagos continuavam cortando o breu, seguidos pelo som dos trovões, que tentavam acompanhá-los.
Fechei os olhos. Os lampejos insistiam em se insinuar através de minhas pálpebras, mas eu não prestava muita atenção a isso. Procurava escutar a chuva, que parecia sussurrar algo em meu ouvido. Senti, por alguma força que não consigo explicar, que a chuva tentava me dizer que ela e o tempo tinham muito mais coisas em comum do que imaginamos. Cochichava que a gente pensa que o tempo é assim, linear, onde um segundo antecede o outro, em fila indiana. Ela disse que não, que o tempo é como a chuva, existindo através de intermitentes pingos de instantes, sempre impossíveis de se medir.

terça-feira, abril 01, 2014

Trinta e um de março e primeiro de abril

Seu nome era Nestor Antônio Medina. Nascido em 1917, segundo seus documentos. Sua profissão, ferroviário. Seu crime, levar panfletos "subversivos" ao trabalho e distribuí-los aos colegas. Por cinco panfletos que recebeu pelo correio e em seguida repassou a outros, Nestor Antônio Medina ficou preso por 81 dias. 
Filiado ao Partido Comunista, foi torturado por dias, por causa de panfletos.
Ele sobreviveu, mas com marcas profundas.
Então, fico triste e impressionado quando vejo pessoas que considero esclarecidas compartilhando fotos de velhinhas "ingênuas" segurando cartazes dizendo que sobreviveram ao regime militar porque nunca roubaram, nunca mataram. Não percebem que estão sendo usados, assim como as velhinhas, como massa de manobra de um jogo político escuso e perverso, sem mocinhos ou heróis.
Ao ler os relatórios policiais sobre a prisão de Nestor Antônio Medina, pude conferir que em nenhuma vez ele se envolveu em qualquer ação violenta. Reafirmo: seu crime foi mobilizar seus colegas de trabalho, incentivando-os ao engajamento político.
Nos anos que vivi sob o mesmo teto que Nestor Antônio Medina, nunca o vi fazer qualquer apologia à violência ou à luta armada. Nunca o vi defender a invasão da propriedade ou a "revolução operária". Ele sempre nos disse: estudem, estudem e estudem. Era seu único e mais precioso conselho. 
Então, por favor, antes de fazer coro em alguma coisa, antes de reforçar o discurso de que os presos políticos foram presos porque roubavam e matavam, peço apenas uma coisa: estudem.

Este relato foi motivado por imagens tendenciosas propagadas nas redes sociais. Tais imagens reforçam preconceitos e estereótipos totalmente fora dos fatos. Não tenho nenhuma intenção em disparar elogios a qualquer ideologia. Apenas creio que não devemos nos esquecer, como acontece muitas vezes, de tudo o que aconteceu nestes últimos 50 anos. Que o sofrimento do meu avô, que sua humilhação, não tenham sido em vão!

quinta-feira, março 20, 2014

Café Viena - versão Guardião (até rimou! :-p)

Estou indo a reboque de meus amigos, Rodrigo Teixeira e Dora Delano. E sinceramente não vou conseguir alcançá-los em sensibilidade que expressaram em seus textos. Sensibilidade? Puxa, acho que estou sendo injusto. Afinal, a palavra sensibilidade aqui traduz muito pouco o que eu encontrei em seus textos. 
Bem, conheço o Teixeira há uns três anos e a Dora há quase o mesmo tempo. A diferença é que com o Teixeira sempre houve o contato, a palavra para além do virtual. Nossa convivência no trabalho e a sintonia de nossas ideias transformou-nos em irmãos lobos. Já Simone Teodoro conheço há mais de 10 anos. Compartilhamos histórias, vizinhanças e até mesmo loucos...
Pois certo dia, Teixeira se aproxima e comenta com alegria contida que havia conquistado uma leitura, uma pessoa que lia o mesmo blog que ele e que de repente começou a visitar o Bom Dia, Mundo Cruel! Como também sou leitor do blog, passei a prestar atenção nos comentários por vezes irônicos, mordazes e com um toque de humor. 
Decidi fazer uma visita a essa moradora de Burkina Faso, a misteriosa Dora Delano. Sem perceber, estava capturado pelos textos que dosavam uma certa pungência com toques de otimismo e grandes doses de entrega. E também foi sem percebi que a descobri leitora deste blog.
O processo foi lento mas muito tranquilo e compensador. Quando percebemos, éramos amigos de Facebook, trocando impressões, experiências e confidências. Descobri que Dora estava mais perto do que imaginava, além de ser minha conterrânea. Na primeira oportunidade de viajar ao Rio, comuniquei-a e combinamos que haveríamos de nos encontrar de qualquer jeito.
Era Carnaval. Ana Luiza estava comigo e foi num mágico passeio na lapa que descobri que Dora era muito mais que uma voz ou fotos sorridentes no Facebook. Era uma pessoa que esbanjava alegria, que pulava de cabeça no espírito do carnaval. Eu e Ana Luiza fomos contagiados pela energia e sambamos muito em um show na Lapa.
Muito tempo passou até que soubesse do desejo de Dora conhecer Belo Horizonte. Ela viria com o namorado, o Pedro, alguém que de certa forma mudou a cara do blog da Dora, algo como uma Ventura Amorosa.
Foi assim que, há dois sábados atrás, fui visitado pelos dois na Biblioteca Infantil e Juvenil, quando eu lia para um garotinho. Os dois não imaginam como fiquei feliz quando percebi que eles puderam testemunhar a parte que mais amo em tudo o que faço. Eles ainda ficaram um bom tempo na Biblioteca, conversando comigo e com a Simone, conhecendo um pouco mais uns aos outros, (re)descobrindo afinidades de ideias.
Combinamos de nos encontrar no Café Viena, um delicioso bar aqui de Belo Horizonte. E que encontro! Como o Teixeira deixou claro, os filhotes de lobo, encantados com esses dois incríveis cariocas, estavam alegres, expansivos.
Infelizmente, a noite foi curta. A vontade era grande de continuarmos indefinidamente trocando palavras e sorrisos, compartilhando momentos insólitos e engraçados.A despedida foi necessária, mas não definitiva. Dora imagina que talvez, por conta da distância, talvez não nos encontremos mais. Contudo, acredito que nisso ela se engana. 
Ah, Vivian e Pedro, podem aguardar, que vocês não escapam assim tão facilmente!

quinta-feira, março 06, 2014

Soluços

Há de se pensar em flores suicidas
olhando de janelas sombrias.
Há de se pensar em noturnos
semelhantes e ausentes
masturbando-se com diligência
enquanto pensam numa fuga de Bach.
Há de se olhar para fora de uma janela
pedir luz
e receber apenas uma caipivodca aguada.
Bicarbonato de Sódio
Não preenche o meu vazio.
Apenas mais uma fórmula
pode ser isso
apenas.
Não perguntarei ao mundo
Não pedirei uma rima
Não me afundarei em soluços
E meu suspiro,
além de qualquer gesto,
não terá
algum
sentido.

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Para continuar a sonhar

Há duas semanas narrei aqui um pouco do encontro maravilhoso que tive na VI Jornada de Edição do CEFET-MG. Contudo, fiquei devendo um outro relato, sobre meu retorno à mesma instituição, dois dias depois, agora para falar novamente com os alunos do ensino médio.

No final do ano passado, estive a convite da amiga Fernanda Rodrigues no auditório do Campus I do CEFET-MG para falar com dezenas de adolescentes sobre O Medalhão e a Adaga. Distribuí marcadores e dei autógrafos, mas tinha poucos livros comigo e infelizmente eram todos muito caros.

Os alunos, porém, não desistiram de adquirir exemplares. Fizeram o contato com a editora e adquiriram 54 exemplares por 50% do valor de capa.
No dia 6 de fevereiro, estive com meus leitores novamente, agora visitando suas salas de aula em seminários ocorridos em cada horário. Foram três conversas maravilhosas, quando pude descobrir leitores indignados com a ausência de uma continuação. Pude também ser gratificado com depoimentos de estudantes que disseram ter abandonado o preconceito contra livros de fantasia após lerem O Medalhão e a Adaga. Isso foi gratificante!

Sempre com o apoio da minha amiga Fernanda Rodrigues, pude ouvir as mais diversas opiniões e sugestões, além de outras perguntas. Aproveitei para divulgar também A Cidade Suspensa.


Novamente, dei autógrafos, agora nos exemplares do meu livro. Sentia, porém, que eu é que deveria ter pedido autógrafo dessa rapaziada tão legal! Afinal, sou daqueles que defendem que o livro só acontece por causa do leitor. 

Espero sinceramente ter a oportunidade de outros momentos assim. Ter contato com as pessoas que leram minha história, que se emocionaram com meus personagens, que sonharam com eles, tudo isso tem um efeito poderoso. Esse é o maior estímulo para continuar a escrever, para continuar a sonhar.

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Elevador 16 - Claustrofobia Mortal

Quem acompanha as publicações deste blog, ou conhece meu perfil no Skoob, já sabe que sou um entusiasta do gênero Zumbis. Minha fascinação vem da trilogia do Mestre George Romero, passando pela franquia Resident Evil (acreditem, eu assisto aqueles filmes horríveis apenas por fidelidade à franquia dos games, inclusive li a maioria dos livros de S.D. Perry) e culmina na literatura fantástica focada nesses incansáveis comedores de carne. 
Não posso negar que também sou um entusiasta da literatura brasileira, tanto por ser também escritor, quanto por meu trabalho como formador de leitores em uma biblioteca pública. Não deixaria, portanto, de expressar um duplo interesse quando a literatura brasileira e o gênero Zumbi se encontram.
Por isso, quando conferi no perfil do autor Rodrigo de Oliveira que a novela Elevador 16 estava disponível para downoad gratuito, não hesitei em baixá-lo, já antevendo que passaria boa parte da noite em claro.
Foi isso, de fato, o que ocorreu. Em Elevador 16 somos apresentados à jovem Mariana, que enfrenta um dilema enquanto se encontra em plena crise com o namorado, Raul. Estamos no ano de 2018, às vésperas da passagem do recém-descoberto planeta Absinto, como referência à uma passagem do Apocalipse. Todos estão entusiasmados com esse grande fenômeno astronômico, muitas pessoas se preparam para acompanharem o enorme corpo celeste, que estará em seu ponto mais próximo de nosso planeta.
Mariana dá pouca importância para a atual situação, pois tem coisas mais sérias para se preocupar. E quando ela fica presa em um elevador com outras quinze pessoas, entre elas Raul, Mariana logo percebe que as coisas ficarão mortalmente piores.
Elevador 16 possui uma trama curta, bem equilibrada e com um ritmo muito bom. Como afirmei acima, foi impossível tirar os olhos da tela enquanto não terminei o texto. Há um elemento muito bem pensado pelo autor para nos aproximar da protagonista, desenvolvendo em nós uma forte empatia por ela. Tanto a insensibilidade e o egoísmo do namorado, Raul, quanto a postura resoluta de Mariana criam uma tensão muito bem equilibrada, que será importante para o desfecho da trama.
Com certa dose de suspense e violência, sem exageros num e noutro, Elevador 16 revela-se um ótimo entretenimento para os amantes de histórias de mortos-vivos, nos fazendo acreditar que certamente Rodrigo de Oliveira, como autor desse gênero, muito tem a oferecer.

Ficha Técnica
Editora: Faro Editorial
ISBN: 0
Ano: 2014
Páginas: 70

Página do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/371385

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Uma história antes não contada

Como divulguei há alguns dias, estive no CEFET-MG, na VI Jornada de Edição, como convidado. Não posso fugir do clichê e dizer que foi um momento mágico, especial. Afinal, foi isso mesmo. Quando recebi o primeiro contato da professora e escritora Ana Elisa Ribeiro, fiquei surpreso e cheguei a pensar se teria de fato algo a dizer. Ela me tranquilizou, informando que o objetivo era que eu compartilhasse minha experiência editorial. 
Da surpresa, pulei direto para a empolgação. Afinal, como disse no início de minha palestra, é um privilégio ter voz em um país em que isso é tão difícil. Dei-me conta, então, que nunca havia narrado minha experiência ao público, ainda mais a um público tão especial. Essa trajetória por vezes tortuosa nunca foi inteiramente narrada. 
Quando estive com os alunos do curso técnico do CEFET-MG, no final do ano passado, relatei o processo de criação do livro O Medalhão e a Adaga, com seus longos 15 anos. Contudo, ainda me faltava traçar esse histórico desde a primeira vez que tive um primeiro texto publicado.
Foi de fato um enorme privilégio poder compartilhar com estudantes do curso de Letras os percalços e infortúnios de um escritor aprendiz, que buscou na faculdade de Letras, ainda que erroneamente, as ferramentas para aprimorar seu fazer literário.
Bem, fico devendo agora a este espaço um post completo com essa trajetória. Mas deixarei para outro momento. Além do mais, devo também uma outra postagem especialmente dedicada aos alunos do curso técnico do CEFET-MG, que me receberam novamente com tanto carinho na semana passada.
Portanto, deixo mais uma vez meu agradecimento aos organizadores da VI Jornada de Edição, na pessoa do Caio Saldanha. Agradeço também ao grande amigo Luiz Henrique de Oliveira, escritor e pesquisador notável, que compartilhou comigo esse momento especial. Deixo aqui também meu profundo agradecimento aos amigos de coletivo Simone Teodoro e Rodrigo Teixeira, que me honraram com seu apoio. E por falar em apoio, agradeço à Ana Luiza de Freitas Rezende por sua presença sempre tão firme e luminosa.

Mais uma vez, obrigado!