segunda-feira, agosto 26, 2019

Semana Literária em Miguel Burnier

A estrada me chamou cedo naquela sexta-feira. Encontrei minha amiga Norma de Souza Lopes no Centro de BH, quase em frente à Praça da Estação. Na van, além de nós dois e o motorista, estavam também os artistas da Companhia Fusca Azul. Nosso destino era Miguel Burnier, um bucólico distrito de Ouro Preto. Era manhã do dia 5 de julho de 2019.

Seguimos caminho, passando por estradas de terra. A estação ferroviária, transformada em espaço cultural, nos aguardava entre montanhas.

Passeamos por lá, brincando entre os trilhos onde já não passam trens. A antiga estação, que esteve em ruínas, agora era um lugar bonito de se ver, com biblioteca e sala de oficina. Lá eu conheci o casal Marco Antonio e Karine, realizadores do 9o Festival Cultural de Miguel Burnier. E não apenas isso. Através deles eu soube da história de revitalização da estação ferroviária e o trabalho frequente em compartilhar cultura junto aos moradores do distrito. 

Após o café da manhã, tivemos uma palestra com a Norma, que falou de sua experiência como articuladora de leitura na rede municipal de ensino de BH. Fui convidado por ela para realizar algumas leituras e falar um pouco de minhas escolhas literárias.

Tivemos uma pausa para o almoço, quando pudemos curtir um momento de convivência e estreitar os laços.

Em seguida, tive o privilégio de dividir com a Norma uma apresentação de narração de histórias na biblioteca da estação ferroviária. Alternamos nossas  atrativas e conversamos com as crianças, que participaram e se encantaram.

Para abrilhantar ainda mais o dia, assistimos o espetáculo da Companhia Fusca Azul, com uma série de histórias do kit literário de BH.

Partimos Miguel Burnier com a alegria de termos feito parte dessa história. Deixamos lá nossas marcas e sabemos que fomos também marcados por esse dia inesquecível. 





sexta-feira, agosto 23, 2019

Uma Chapeuzinho Vermelho - As pequenas forças contra os grandes monstros

Uma menina sozinha em seu caminho. Dante dela, surge um lobo. Ele é enorme e está faminto. Essa menina, que veste um chapeuzinho vermelho, tem diante de si um perigo terrível.

Assim começa uma das histórias mais antigas do universo infantil. Readaptado e recontado diversas vezes, o conto Chapeuzinho Vermelho aparece em inúmeros formatos e releituras. Por causa de tantas versões, há que se pensar que o tema já esteja alcançando um certo esgotamento. 

Até sermos apresentados ao livro Uma Chapeuzinho Vermelho, de Marjolaine Leray. Trata-se de uma obra completa, com um texto que ganha em simplicidade e humor. Os traços são expressivos e dialogam abertamente com o universo infantil, uma vez que simulam os rabiscos que as crianças fazem com giz de cera.

O equilíbrio entre texto e imagem concedem à narrativa um caráter fortemente cênico. Enquanto lemos, estamos vendo uma tela em ação. Há muitos silêncios que são completados pela expressividade dos desenhos de Marjolaine Leray. 

As principais referências ao conto original estão lá, mas transformados em ganchos de humor e ironia. O lobo se torna totalmente caricato. Com seus dentões, seus olhos enormes e ferocidade, ele vai sendo desconstruído, diante de uma menina que não tem medo. Ou melhor, uma menina que sabe vencer o medo através da curiosidade e da malícia propriamente infantil.

Uma Chapeuzinho Vermelho também dialoga com o universo dos cartoons, ao apresentar uma heroína pequena e forte, diante de um vilão virtualmente superior. Ela não teme sujar as mãos e não se importa em usar da violência sutil diante de seu inimigo. E de mau, o lobo se torna bobo, ou melhor, bobinho. 

Em um tempo em que a força é alardeada e que as minorias são ridicularizadas por homens brancos e preconceituosos, Uma Chapeuzinho Vermelho é uma alegre lembrança de que ainda podemos rir dos monstros, estejam eles em florestas, palanques ou tribunas.

Ficha Técnica
Uma Chapeuzinho Vermelho
Marjolaine Leray
Ano: 2012
Páginas: 44
Idioma: português
Editora: Companhia das Letrinhas

segunda-feira, agosto 19, 2019

Conte Outra Vez: coletânea de contos inspirados em canções de Raul Seixas


Em livro digital gratuito, escritores prestam tributo ao cantor 30 anos após sua morte.



Este ano se completam 30 anos da morte de Raul Seixas. Para celebrar o legado musical do Maluco Beleza, o escritor T. K. Pereira organizou a coletânea Conte Outra Vez.



Inicialmente, o livro teria apenas 30 contos, mas recebeu 6 faixas-bônus. “Percebi que as canções escolhidas permeavam quase todos os álbuns 17 álbuns de estúdio, deixando de fora o primeiro e os últimos. Então convidei mais autores e pedi que eles escolhessem uma canção de cada álbum faltante. Para tornar o tributo ainda mais completo, o escritor Bráulio Tavares liberou a publicação de uma canção de sua autoria, uma apropriada elegia ao rei do rock brasileiro.”, diz T. K. Pereira.



O livro traz autores de estilos e trajetórias próprias, mas que compartilham o fascínio pela figura e pelas obras do Raul. Algumas inspirações são mais sutis, outras mais diretas, com o próprio cantor surgindo em várias narrativas. Houve a preocupação de dar diversidade à coletânea, reunindo escritores de Minas Gerais, Paraíba, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo e outras partes do país.



 “Os anos criaram misticismos e lendas ao redor do Raul, mas o que ficou dele para mim foi o artista que nunca deixou de acreditar em si mesmo, em sua obra e no que tinha a dizer, por mais obstáculos que surgissem em seu caminho”.



Gratuito e exclusivamente digital, o livro estará disponível a partir do dia 21 na Amazon, Apple Books e outras plataformas digitais, incluindo o site oficial do organizador (www.tkpereira.com.br).

Lista de Autores e Canções Escolhidas

 Adriane Garcia - MG - Se o rádio não toca
 Alessandra Barcelar - SP - Para Nóia
 Alessandro Garcia - RS - Meu Amigo Pedro
 Ana Elisa Ribeiro - MG - Metamorfose Ambulante
 Ana Luiza Rizzo - RS - O Trem das 7
 Betzaida Mata - MG - Ave Maria da Rua
 Bráulio Tavares - PB - Chegada de Raul Seixas ao Castelo de Avalon
 Bruna Brönstrup - RS - Check-up
 Bruno Ribeiro - MG/PB - Maluco Beleza
 Cinthia Kriemler - RJ - Ouro de Tolo
 Cris Vazquez - RS - Al Capone
 Cristiano Rato - MG - Na rodoviária
 Eduardo Sabino - MG - Canto pra minha morte
 Elizabeth Gouvea - MG - Você roubou meu videocassete
 Gisela Rodriguez - RS - O Dia em que a Terra parou
 Irka Barrios - RS - Gita
 Ivandro Menezes - PB - Mosca na Sopa
 João Matias - PB - A Maçã
 Joedson - PB - Sociedade Alternativa
 Julia Dantas - RS - Meu Amigo Pedro
 Katia Gerlach - RJ - Gospel
 Matheus Borges - RS - Paranóia II
 Maurem Kayna - RS - Medo da Chuva
 Nathalie Lourenço - SP - Aluga-se
 Renata Wolff - RS - Segredo da Luz
 Roberto Menezes - PB - Caminhos
 Samuel Medina - MG - Trem 103
 Sérgio Tavares - RJ - Metrô Linha 743
 Simone Teodoro - MG - S.O.S
 T. K. Pereira - BA/MG - Tente Outra Vez
 T. S. Marcon - SC - Mamãe eu não queria
 Tadeu Sarmento - PE/MG - Dr. Paxeco
 Taiane MariaBonita - RS - Judas
 Tiago Germano - PB - Sessão das 10
 Tiago Motta - MG - Como Vovó já Dizia
 Wander Shirukaya - PE/SP - Rock das Aranha

T.K. Pereira

A Palavra do deus

É forte como a dor
É dura como o horror
e fura como uma
presa bestial
Distorce o real
Infame, espalha o mal
A palavra sangrenta
do senhor

sexta-feira, agosto 16, 2019

Flicts - Uma ode à empatia

Era o ano de 1986. Um garotinho introspectivo e desajustado encontra um livro que é quase de seu tamanho. Em suas páginas, cores fortes saltam em sequências oníricas. Admirado, o garotinho descobre uma história sobre preconceito e autodescoberta. Ele se descobre.

Esse é o início de minha história com Flicts, clássico do escritor e ilustrador Ziraldo. A saga de uma cor incompreendida buscando o seu lugar me cativou, como tem feito com tantas crianças - e adultos - há 50 anos.

Pioneiro em tantos aspectos, o primoroso livro de Ziraldo aborda um tema que não perde sua atualidade. Afinal, a humanidade, desde os primórdios tropeça em conviver com suas diferenças.

Flicts é um livro que suporta múltiplas narrativas. As formas e cores, seguindo um desenho básico, dialogam com todas as faixas etárias. A sequência de imagens apresentam uma narrativa que pode ser facilmente acompanhada por quem ainda  ao passou pela alfabetização. Ainda assim, essa simplicidade é de um refinamento que dialoga com a poesia concreta.

Seu texto, porém, não perde em riqueza poética. O ritmo, a escolha nas palavras e sentidos constrói um conflito que cresce rumo a um clímax. Por ser uma obra-prima, texto e imagem se completam nessa tensão. 

E nesse clímax, nós leitores temos então uma grande reviravolta. Nela, somos compactados com a verdade que todas as pessoas são feitas da mesma matéria, não importando as aparências. 

Entendemos que, assim como a lua, nossa alma é Flicts.

Ficha Técnica 
Flicts
Ziraldo
Ano: 1969 
Páginas: 82
Idioma: português 
Editora: Expressão e Cultura

terça-feira, agosto 13, 2019

O Saci no CCLAO


Oficina Literária "O Saci, de Monteiro Lobato"


Leitura de trechos do livro "O Saci", de autoria de Monteiro Lobato, seguida de atividade criativa sobre as origens e peripécias do personagem, com Samuel Medina.


Dia 14, quarta, às 14h30

Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira
Avenida Antônio Carlos, 821 - Mercado da Lagoinha
Contato: (31) 3277-6091 ou 3277-6077


Vídeo: Uma Chapeuzinho Vermelho - Marjolaine Leray


Que criança não vive a sensação de medo através da figura do famoso Lobo Mau? Ele é grande, forte, feroz e ruim até o último pelo. Aqui neste livro, ele continua sendo tudo isso, com a diferença de que a Chapeuzinho, além de muito esperta, não tem nenhuma compaixão pela fera. Uma coisa é certa, o final é surpreendente!

Ficha Técnica

Título original: UN PETIT CHAPERON ROUGE
Tradução: Júlia Moritz Schwarcz
Páginas: 48
Formato: 20.30 X 13.60 cm
Peso: 0.184 kg
Acabamento: Capa dura
Lançamento: 20/04/2012
ISBN: 9788574065281
Selo: Companhia das Letrinhas

https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=40672

segunda-feira, agosto 12, 2019

Primavera Literária 2019

A CONSTRUÇÃO DE UM CAMINHO COMUM PARA BIBLIOTECAS E O MERCADO EDITORIAL - A relação entre o mercado editorial brasileiro e as políticas de aquisição de livros para bibliotecas públicas e escolares.

Mesa de discussão com:
. Volnêi Canônica
. Samuel Medina
. Guilherme Relvas
. Viviane Maia
. Mediação: Rosana Mont'Alverne


"O mercado editorial brasileiro, especialmente sua produção infantil e juvenil, funciona, não exclusivamente, mas em grande medida, em torno de políticas de aquisição de livros para bibliotecas públicas e escolares. Em nosso atual contexto, como pensar essa relação, considerando aspectos como liberdade de expressão, financiamento e compromisso com um projeto amplo e longevo de formação de leitores e fortalecimento das bibliotecas?"

Dia 15/08/2019
11h30
Sala 206 (não será na sala multiuso)



terça-feira, agosto 06, 2019

Vídeo: 20 disfarces para um homenzinho narigudo - Marcelo Martinez



A ideia de 20 disfarces para um homenzinho narigudo é proporcionar à criança uma brincadeira com o significado das linhas e das formas. A partir de uma base fixa – o homenzinho narigudo –, de muita imaginação e poucos traços, o pequeno leitor poderá “ver” figuras diferentes: "um carinha la da França", "um pintinho de mudança", "uma cobra equilibrista", "um elefante na piscina", e por aí vai. Ao fim do livro, uma nova aventura é proposta: quais figuras os pequeno leitor será capaz de imaginar sobre a imagem do homenzinho narigudo?

Ficha Técnica
Título: 20 Disfarces Para Um Homenzinho Narigudo
Autor: Marcelo Martinez
ISBN: 9788520932056
Idioma: Português
Encadernação: Brochura
Formato: 20 x 20
Páginas: 48
Ano de edição: 2013

segunda-feira, agosto 05, 2019

Mesmo depois

Prometo ser fiel
Em ações e palavras
Que minha poesia
jamais verá
outra musa.
Prometo ouvir
Atentamente
Todo que você
tiver a dizer.
Observar seus silêncios
com respeito e cuidado.
Prometo não te sufocar
com meus ciúmes
E te cobrir de beijos
Todos os meus dias
E...
Quem sabe?
Mesmo depois.

sexta-feira, agosto 02, 2019

Contos de Amor e Morte - Com Pâmela Bastos e Samuel Medina


Princípios e Fins. Presume-se que a vida começa no Amor, mas certamente em seu fim,  a morte, há que se encontrar Amor. Contos  de Amor e Morte celebra a vida em sua plenitude.

Dia 9/08/2019
No Espaço Suricato
Rua Souza Bastos, 175, Floresta. Belo Horizonte - MG.
Couvert artístico de R$ 12,00.


Contamos com as presenças de vocês!

Atualização: estaremos com uma barraquinha, vendendo o livro Patos Selvagens a quem estiver interessado. E o preço será promocional!


quarta-feira, julho 31, 2019

Primeiras impressões da OcupaSacy

No dia 30 de junho, um domingo, eu e Pâmela fizemos uma expedição a um lugar mágico. Fomos ver a #OcupaSacy que está acontecendo aqui em BH, no Sesc Palladium. 

Ao chegarmos, ficamos impressionados com a beleza da exposição. Como um admirador da cultura sacisística, eu estava deslumbrado. 

A Sacyoteca foi logicamente um lugar mais que especial. Destaco que as garrafas que antes contiveram os mais variados tipos de sacis estavam agora abertas. Esse é o espírito da exposição e dos próprios sacis: a liberdade. Dominando a Sacyoteca estava o "Fabuloso Inventário dos 77 Sacys". Dessa forma, alguém iniciante nessa vasta cultura saberá que o Pererê é um entre vários outros sacis, cada um com características peculiares.

Havia também um laboratório com vestígios e artefatos de sacis. Inclusive, alguns pedaços de bambu ainda exibiam os sacis em gestação, olhando timidamente para nós, espectadores. Claro que eram representações. Afinal, sacis ainda filhotes devem crescer tranquilamente em bambuzais, com todo o sossego que merecem.

Muito mais havia para descobrir. Porém, a galeria estava para fechar. Saímos de lá com a promessa de que voltaríamos. Essa promessa foi cumprida, mas é tema para outra hora.






segunda-feira, julho 29, 2019

Dócil

Aquela palavra
Que é espada
Fincada
Em meu
lóbulo frontal

Pela palavra
Dei milhares de passos
Marchei soldado
De cristo

Quantos cativos
fiz por uma
loucura?

Quantos brados
dei para
ruir muralhas e
promover mortes?

Quantos aprisionei
e com a mesma palavra
cortei seu desejo?
Quantos lobotomizei?

Hoje eu me decido
arranco de mim
essa palavra e ponho
minha coroa em leilão

sexta-feira, julho 26, 2019

Uma vez - Experiência, esperança e o poder da palavra

Por vezes, achamos que um determinado tema se esgotou, de tanto que foi explorado, gerando livros, filmes, documentários, séries e outras obras artísticas. Em outros casos, porém, um tema parece inesgotável. 

Um grande exemplo disso é o chamado Holocausto. Existem inúmeros trabalhos abordando esse terrível acontecimento, de monumentos a obras cinematográficas. E ainda assim, sempre parece haver um novo prisma a ser lançado sobre o tema.

Talvez a profundidade do impacto desse acontecimento acabe por gerar em nós o sentimento de urgência em lembrar dele, para que o mesmo não se repita, embora isso pareça quase inevitável.

O romance juvenil Uma Vez 
P pode ser um bom exemplo de tal afirmação. Inspirado em cartas de crianças judias que passaram pelo Holocausto, o livro de Morris Gleitzman é narrado por Félix, um garoto judeu que foi deixado pelos pais em um orfanato na Polônia ocupada pela Alemanha nazista, com a esperança de que ao menos ele sobrevivesse. 

Filho de livreiros judeus, Félix vive a relativamente tranquila rotina no orfanato, tendo como válvula de escape as histórias que inventa para si mesmo e registra em seu caderno. Suas narrativas, sempre inventivas e ingênuas, contam com seus pais como protagonistas em aventuras mirabolantes. O menino espera que logo quando possível seus pais irão buscá-lo e interpreta qualquer coincidência como um sinal secreto de que eles estão para chegar.

Tudo muda quando Félix presencia um grupo de militares nazistas queimarem livros. Acreditando que os nazistas são bibliotecários inimigos de livreiros judeus, o garoto decide que precisa salvar seus pais a qualquer custo.

Tem início então uma penosa jornada de um menino em uma terra hostil e violenta. O enredo não poupa o protagonista e o texto mostra o amadurecimento forçado de uma criança que vê suas fantasias serem destruídas com a mesma violência que os nazistas praticavam contra os judeus, com a anuência da população em geral.

Félix, porém, é um contador de histórias. As palavras são fundamentais para dar sentido a seu mundo. Ele precisa delas para viver. Em certos momentos, é delas que ele se vale, mesmo contra a sua vontade. 

Apesar da crueza dos acontecimentos, há um toque de esperança através da fabulação de Félix. Algo que funciona para literalmente afastar a dor. A sua capacidade de contar histórias e criar aventuras provê seu sustento e de outras crianças.

Mesmo ao chegar ao momento mais sombrio de seu percurso, o menino ainda consegue, através do sonho, acreditar no futuro. Ele entende que somente assim conseguirá vencer o medo. Com o poder das palavras, Félix nos mostra que  a experiência, sem esperança, de nada vale.

Ficha Técnica
Uma Vez
Morris Gleitzman
Ano: 2017
Páginas: 160
Idioma: português
Editora: Paz & Terra
Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/uma-vez-676858ed679011.html