sábado, julho 20, 2019

Oração a Nossa Senhora das Travestis

Em apoio a todas as pessoas que participam da Academia Transliterária, compartilho com vocês a Oração a Nossa Senhora das Travestis, que foi censurada na Virada Cultural.


sexta-feira, julho 19, 2019

Deslocamento - Memória, afeto e descoberta

O tempo e a memória muitas vezes aparecem em nossa cultura como antagônicos. Afinal, podem ser considerados inversamente proporcionais, em seu aspecto subjetivo.

Esse fato fica ainda mais evidente quando envelhecemos. Assim, como garantir que seja recuperado algo que o tempo degrada tão vorazmente?

Deslocamento, de Lucy Knisley, é uma graphic novel autobiográfica que levanta essa questão. Como o próprio subtítulo anuncia, é um diário de viagem. Contudo, nesse diário a autora costura com sua subjetividade duas narrativas distintas. 

Uma jovem em um momento de solidão faz duas jornadas simultâneas, sendo uma por um cruzeiro marítimo em companhia dos avós e a outra um mergulho nas memórias do avô durante a segunda guerra mundial. 

É interessante o grau de intimidade a que Knisley se expõe para quem lê sua obra. Seus medos, inseguranças e lamentos são apresentados de forma muito honesta e singela. O tom de confidência dá ao seu trabalho um ar de tocante sinceridade.

A autora relata o assombro e o medo diante da velhice e sua busca sensata por paciência e empatia. Lucy não é apenas neta. Ela se descobre cuidadora de um casal que para ela já foi exemplo de autonomia. 

Momentos que seriam constrangedores vão se tornando naturais, como devem ser. Como a vida é. Assim, Knisley amadurece como protagonista. Para auxiliá-la nesse processo, ela conta com as memórias de guerra de seu avô. E a alegoria funciona muito bem. 

Assim como ele fez uma jornada transformadora e cheia de perigos, ela também se lança em sua própria travessia. E alcança o outro lado mais forte.

Com sua narrativa intimista e um tanto inocetente, Lucy Knisley faz de Deslocamento uma experiência afetiva, um exercício de empatia e um relato de amor.

Ficha Técnica
Deslocamento: um diário de viagem
Lucy Knisley
Ano: 2017
Páginas: 144
Editora: Nemo
Página do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/livro/641460ED643224

quarta-feira, julho 17, 2019

Uma noite de afetos, amizade e Pedro Nava

Na noite de 26 de junho, uma quarta-feira, fui visitar o Centro Cultural Padre Eustáquio. Pâmela foi comigo. O evento é mensal e se chama "Feira de Poesia". O tema do evento era a obra de Pedro Nava.

Chegamos atrasados. Como era a nossa primeira vez no evento, ficamos um pouco perdidos. Tanto que erramos a porta e ficamos circundando a entrada da feira coberta do Padre Eustáquio, onde está localizado o Centro Cultural.

Entramos em uma biblioteca em penumbra. Um projetor mostrava imagens da vida do escritor. Ao redor de uma mesa, nós víamos rolinhos com textos de Nava. Apresentando as imagens do autor, estava seu sobrinho-neto, Matheus Nava.

Mergulhamos em um passado repleto de sentimento e perda. Conhecemos um pouco mais das histórias de família, principalmente o pesar da família, e do próprio Pedro Nava, com a morte prematura do sobrinho, José Hyppólito, por quem a família nutria grande admiração.

Ao final da apresentação, fomos convidados a um saboroso café. E pude conversar um pouco com os presentes.

Conheci uma pessoa muito bacana, o Paulo Siuves. Ele esbanjava simpatia e amizade. No bate-papo entrou também o casal de poetas Cirlene Lopes e Geraldo França.

Aproveitei para conhecer o livro de poemas da Márcia Araújo, uma das organizadoras da Feira de Poesia. Não hesitei em garantir o meu exemplar.

Foi uma noite de encontros, novos e antigos. Revi os colegas Hélio e Ângelo. Trocamos algumas palavras, menos do que gostaria. Ficou a promessa de uma outra vez.

Tenho certeza que saí de lá com um tesouro. A vivência do evento e os afetos com as novas amizades enriqueceram minha caminhada.



segunda-feira, julho 15, 2019

Posição

Minha crença é quântica
Desconfio de promessas
principalmente aquelas
por escrito.
Em religião,
sou um zero.
Mas que fique claro:
à Esquerda.

sexta-feira, julho 12, 2019

O peso do pássaro morto - O peso de uma vida

Quanto pesa um pássaro em pleno voo? Qual a diferença desse mesmo pássaro, depois de morto? Quanto pesa uma vida? Como medir a memória que se tem, mesmo aquela que se tem, a despeito de não desejá-la?

Assim como essas perguntas podem gerar inúmeras outras, há livros que nos lançam em torvelinos de questionamento. Da mesma forma que revisitamos nossas lembranças com a fórmula "e se?", muitas narrativas nos tocam a ponto de tomá-las como nossas. Assim, começamos a usar essa mesma fórmula no enredo. "E se ela não tivesse feito aquela viagem? E se ele tivesse agido diferente?"

O peso do pássaro morto foi um livro que me arrebatou de tal maneira que ao seu término eu me senti em suspenso. Era como se minha memória não existisse mais, como se minhas palavras estivessem fadadas ao silêncio, tal era a força das palavras desse livro.

Romance de estreia de Aline Bei, este é um livro pungente. O enredo segue um trecho da vida de uma mulher, sendo ela a narradora. Esse é o primeiro grande impacto do livro. Narrado em tom intimista, o texto faz do leitor um voyeur, alguém que inadvertidamente penetra na mente de outra pessoa e a observa em silêncio. 

Ao mesmo tempo, o tom da narrativa soa confessional. Assim, somos também cúmplices da narradora, ao darmos escuta a essa menina-mulher em sua jornada de amadurecimento e descoberta. 

Esse, também a meu ver, é o segundo grande impacto que o livro tem. Nesse pêndulo, o leitor é intruso e convidado. A narradora é perspicaz, espirituosa e cativante. Creio ser impossível não se apaixonar por ela. E não se comover com os impasses que ela sofre em sua trajetória.

Por fim, esse é o terceiro impacto que o livro causou sobre mim. Já nas palavras da menina que era levada pela mãe para ser benzida por um curandeiro, podemos ver a sensibilidade poética da narradora. E a poesia é evidente também no ritmo do texto, construído em verso livre. 

Este não é um livro fácil. Ou feliz. É um texto forte e poderoso. Uma narrativa profunda e visceral. De um impacto semelhante a uma pedra que derruba um pássaro em pleno voo.

Ficha Técnica 
O peso do pássaro morto 
Aline Bei 
Editora NOS
Ano: 2017
Páginas: 167

quarta-feira, julho 10, 2019

Histórias, memórias e sorrisos - Visita ao Lar de Idosos Benedito Venâncio

Tudo começou ao ver a foto de minha amiga Norma de Souza Lopes contando histórias para um grupo de velhinhos. Fiquei encantado e com muita vontade de participar. Entrei em contato com ela, que me apresentou a Higínia, uma professora da EJA extremamente dedicada.

Fizemos o primeiro contato e combinamos uma visita ao Lar de Idosos Benedito Venâncio no dia 12 de junho. 
Estava ansioso e muito nervoso. Para mim, os idosos devem ser ouvidos, eles são os contadores de histórias por excelência. A responsabilidade que eu sentia era enorme e isso aumentava minha insegurança. Contudo, a vontade de visitá-los, interagir com todos e conhecê-los era maior que qualquer insegurança.

Lá chegamos. Fomos conhecendo cada idosa e idoso. Todos foram muito receptivos e carinhosos. Um lanche foi distribuído e participamos dessa refeição em conjunto. 
Terminado o lanche, Higínia nos apresentou. Norma então passou a palavra pra mim. Contei "O caso do bolinho", uma de minhas histórias favoritas.

Em seguida, Norma narrou "O homem sem sorte". Foi uma delícia ouvir essa narrativa tão preciosa partindo de uma pessoa também preciosa. 
Foi então a minha vez de contar a história do rei descrente. 
Uma das presentes, a senhora Maria do Carmo, decidiu compartilhar também uma história. Ela narrou a fábula de dois amigos que encontram uma fera na floresta. 
Outra pessoa que desejou falar foi o senhor João, que narrou de sua infância difícil em Nanuque.

Um senhor chamado Sebastião contou alguns causos da roça. Contou sobre a caça ao tatu, a casa mal-assombrada e o rabo da onça.

Norma reassumiu para contar a história de Chico Bravo e João Jiló. Todos riram das trapalhadas do herói. Eu então recitei "Tombo", poema de autoria da Norma, e narrei sobre Nasrudin e o caixote.

Encerramos agradecendo as escutas e também as vivências compartilhadas. Sinto que foi um momento especial de aproximação e conhecimento. O afeto foi a palavra fundamental daquele encontro.

Mais uma vez agradeço à Higínia pela oportunidade, bem como à minha amiga Norma e também a toda a equipe do Lar de Idosos Benedito Venâncio. 



terça-feira, julho 09, 2019

Projeto Livro-minuto: Vídeo e Primeira Campanha

Boa noite! Compartilho com vocês mais um livro-minuto. Desta vez não se trata de um exemplar único. Até o momento, foram feitos 4 exemplares. O livreto no vídeo é o quarto produzido e ele está disponível para aquisição.


Proponho então uma brincadeira:

Quando o vídeo alcançar 10 "joinhas", a primeira pessoa que tiver comentado lá no post do canal ganhará pelo correio uma cópia feita à mão desse livro-minuto.

Portanto, logo que o vídeo alcançar 10 "joinhas", entrarei em contato para pedir o endereço de envio.

segunda-feira, julho 08, 2019

Um réquiem para Afrânio


Este era o Afrânio. Como todo roedor, ele era ativo, desconfiado e frágil. Mesmo assim, ele sabia se defender. Aprendi isso da pior maneira, ao pegá-lo de forma desajeitada. Com seus afiados dentinhos, ele me mandou um recado em um de meus dedos. E dele eu me lembrei com frequência nos dias seguintes.

A história de Afrânio é dramática. Ele era cobaia de um laboratório acadêmico e seria sacrificado ao final do semestre. E de repente alguém oferece um lugar para o Afrânio. Mas o que ele recebeu foi muito mais que uma chance de sobrevivência. 
Afrânio era amado. A ponto de sua tutora dar comida em sua boca. Ela falava sempre dele. Não era um refugiado. Para a pessoa que o recebeu, Afrânio era alguém.

Infelizmente, nem todo mundo pensa assim. Contra a vontade de sua tutora, Afrânio foi colocado ao relento. E como eu disse  o início, seu corpinho era frágil. 
Para deixá-lo de fora, os donos da casa tinham como desculpa o argumento de que ele fedia muito. Bem, meu olfato não é dos melhores, mas eu nunca senti qualquer fedor vindo do ratinho.

Sabemos como BH está fria nestes dias. Na semana passada, Afrânio amanheceu fraco e desanimado. A sua cuidadora tentou de tudo para que ele melhorasse, mas a fragilidade foi mais forte. Afrânio partiu.

Foi triste saber da notícia. E foi mais triste ainda saber que a intransigência pode ter matado o Afrânio. Para aqueles que o exilaram, ele não era alguém, era uma coisa. 
Do alto de nossa arrogância, sempre achamos que o diferente é inferior. Fazemos isso contra outros seres humanos, por que não aconteceria com uma coisinha tão pequena e frágil como o Afrânio?

Penso em todas as vidas que são destruídas pelo descaso e falta de empatia. Belo Horizonte está muito fria, mas vejo que gelado mesmo está o coração de muitos de nós.

Re-legião

Há muitas vozes em mim

Brigam por escuta
Bradam sua angústia

Séculos de silenciamento
Barragem
Prestes a romper

Vozes de sangue
E outras líquidas
Existências

A pele flagelada
Urra em meu peito
Junto aos olhares
de revoltosa fúria

Somos muitos
e nossos gritos
por justiça
hão de cobrir
toda a terra.

sexta-feira, julho 05, 2019

A extraordinária jornada de Edward Tulane - Uma odisseia de amor

O que é o amor? E o que significa a ação de amar? Como saber que amamos de fato e somos correspondidos? Além disso, como saber se merecemos ser amados? Afinal, existe merecimento para o amor?

Perguntas como estas nunca haviam passado pela cabeça de Edward Tulane. Ele era um coelho de porcelana, então muitos podem achar que ele não pensava, o que não é verdade. Edward tinha opiniões muito sólidas, principalmente sobre si mesmo.

Dono de uma vaidade tão extensa quanto o próprio guarda-roupa, Edward foi feito sob medida para a garotinha Abilene. E seus dias se resumiam a uma maravilhosa convivência com uma menina que simplesmente o adorava. Contudo, Edward não se importava muito com isso, tão ocupado estava pensando em si mesmo e em como ele era especial. Até que um fortuito incidente o lança contra a vontade em uma longa jornada de sacrifício e descoberta.

Assim tem início A Extraordinária Jornada de Edward Tulane, romance de Kate DiCamillo. A narrativa é mantida o tempo todo a partir de um objeto inanimado - o coelho de porcelana Edward. Uma premissa como esta poderia resultar em um romance tedioso.

Não é o caso do texto de Kate DiCamillo. Trata-se de uma narrativa equilibrada e cativante. O talento da escritora é incrível, pois sustenta seu enredo com os pensamentos e sentimentos do protagonista. Ele é um ser senciente, mas não pode se mexer, estando totalmente à mercê de todos à sua volta.

Desta maneira, DiCamillo elabora uma delicada alegoria sobre nós mesmos diante do mundo e como em diversos momentos estamos totalmente fora do controle de nossas vidas, precisando depender totalmente de outras pessoas - até mesmo estranhas.

Outro ponto fundamental na narrativa está na propensão inata de algumas pessoas para o amor, e como essa propensão se revela no cuidado despretensioso. 

É muito importante destacar que este é um livro dramático. A jornada de Edward é extraordinária tanto pelo que tem de bom quanto de mal. E quanto mais estamos envolvidos na leitura, mais vulneráveis estaremos para sofrer junto com o herói.

Com um texto inventivo e envolvente, este romance é um convite a refletir sobre o Amor e sobre como cada pessoa que encontramos em nossas vidas nos muda de maneira irreversível. 

Ficha Técnica 
A Extraordinária Jornada de Edward Tulane 
Kate DiCamillo 
Ano: 2007
Páginas: 216
Idioma: português
Editora: WMF Martins Fontes
Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/livro/132650ED147142

quinta-feira, julho 04, 2019

Vídeo: sobre o canal

Prezadas e prezados, percebi que o vídeo que explica meu canal não está aqui no blog. Para corrigir este lapso, ele segue abaixo. Talvez a proposta e o conceito tenham mudado um pouco, mas quem sabe, né? Rsrsrs...


quarta-feira, julho 03, 2019

Caldos, Causos e Violas - A força e o sabor da Palavra


Ninguém que me conhece duvida que eu valorize a Palavra. Dela eu tiro meu pão. Dela eu me acerco quando preciso de sentido para minha vida. Ela me alimenta em todos os aspectos. E não apenas a palavra escrita, mas também aquela que vive solta, nos ouvidos e bocas de pessoas que muitas vezes são ignoradas em suas escutas. Ainda assim, elas resistem e continuam a inventar sentidos e temperos para nossa fala e, muitas vezes, também para nossa escrita.

Nos dias 14 e 15 de junho Belo Horizonte foi o centro de uma roda de palavras e sabores. Idealizado pelo Instituto Abrapalavra, foi um evento intimista e singelo. Ocorrido em uma biblioteca e em um espaço cultural, tinha o aconchego e a acolhida como principais ingredientes.

Na manhã da sexta-feira, dia 14, a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de BH recebeu o grande Sebastião Farinhada. Com sua viola, ele cantou melodias de congado e compartilhou um pouco de sua vivência. Também falou sobre a importância da memória popular, da cultura do campo. Relatou os desafios na luta pela agroecologia. A roda de conversa aconteceu em conjunto do Encontro Semanal de Contadoras de Histórias.

Nós ouvimos, conversamos e comemos broa de fubá com café. Havia também água aromatizada com alecrim. Cada pessoa foi convidada a compartilhar uma memória afetiva de sabores de sua infância. Falamos de canjica, tropeiro, cuscuz, pé-de-moleque, doce de leite, fubá suado, canjiquinha e muitas outras delícias. Eu aproveitei para fazer menção a uma gostosura que conheci na época que morava em Teófilo Otoni.
As pessoas não costumam conhecer o chá de amendoim. Apesar do nome, ele não é feito com água, mas com amendoim cozido no leite. Ouvimos sobre gratidão, reverência à terra e à natureza. Cantamos e fizemos roda. Foi delicioso.

No sábado, à noite, a festa continuou no Espaço Suricato. Uma roda de causos aquecia nossos ouvidos e corações. Os caldos aqueciam o paladar da gente. Com o sal dos caldos, o adocicado das narrativas bem-humoradas contrabalançava esse momento tão saboroso. O mestre de cerimônias era ninguém mais que o próprio Sebastião Farinhada, que encerrou a festa com sua viola e a melodia Calix Bento. Caí na dança.

Mais uma vez saúdo a equipe do Instituto Abrapalavra, nas pessoas de Aline Cântia, Chicó do Céu, Fernando Chagas, Paula Libéria e Sheila Oliva. E também a interpretação em LIBRAS de Dinalva Andrade.

As palavras, canções e causos ainda embalam minha mente e meus ouvidos. Esses dias de junho estarão gravados em minha memória com esse espetáculo de cores, sabores e vozes. Que essas vozes continuem ecoando e nós sejamos sempre atentos a elas. Que as palavras continuem a alimentar nossas almas nesses tempos em que a fome parece querer tragar até mesmo a esperança.

terça-feira, julho 02, 2019

Vídeo: Linda - Samuel Medina

Olá, pessoal! Compartilho um novo vídeo. É a música que ofereço para minha esposa, Pâmela Bastos Machado. Com vocês, Linda.


segunda-feira, julho 01, 2019

Choque de realidade

Um racista nem
sempre assume
que é racista.

Pra ser presidente,
ele nunca ia assumir
que é racista.

Ele fala como racista,
age como racista,
mas diz:
isso não é racismo.

Negro, sem camisa, 16 anos.
Ele diz: Bandido.
Branco, fardado, 18 anos.
Ele diz: É um garoto.

Quando
defender crime
se torna certo?

Ele ri enquanto
faz gesto de atirar.

Ele não hesitaria
em matar você,
caso você fosse condenado
à pena de morte.
Não haveria
chance de dúvidas.
Ou misericórdia.

Ele aceitaria que
exterminassem você
sem processo penal.

Ele disse que isso é bem-vindo!

Enquanto isso,
meus olhos dão
boas-vindas
a lágrimas
eternas.

BH, 26/06/2019.