terça-feira, maio 26, 2015

Complexo de Ana Júlia

Já ouvi dizer que o maior azar da banda Los Hermanos foi justamente fazer sucesso com a música "Ana Júlia". Poxa, acho isso uma injustiça. Não que a música em si seja boa. Na verdade é um chiclete que não sai do ouvido. Porém, não deixa de ter o seu quinhão. Talvez por retratar uma situação tão comum, provocando em várias pessoas um laço de identificação.
E por isso, dou o valor devido à música, por sua letra tão verdadeira. Principalmente para esta pessoa que vos escreve. Sim, sou mais um de tantos rapazes "bonzinhos" que sofrem o fatídico complexo de Ana Júlia. 
Veja bem: você é um jovem sensível, educado, tem alguma cultura e tudo isso o faz achar que seja um bom partido para as garotas. Geralmente, você acaba se identificando com os protagonistas atrapalhados das comédias românticas, mesmo que você não seja o tipo ridículo, quase idiota, que aparece nesses filmes. Ainda assim, você é aquele que quer ficar com Mary. 
Ela pode ser uma amiga, uma conhecida, ou até mesmo alguém que você encontra circunstancialmente. Isso pode acontecer de primeira ou pode ir lentamente tomando forma em sua mente. A verdade é que em algum momento você toma a consciência de que ela é a pessoa. Começa então seu lento caminho a uma dolorosa porém inevitável decepção.
No fundo, você já suspeita disso. Contudo, como um bom produto da civilização calcada na cultura de massa, acredita que pode viver uma grande história de amor. Você chega a pensar que merece isso. E essa ideia o faz fantasiar noites e noites uma vida que nunca será sua. 
Então, lentamente, você vai tomando coragem. Ou não. Pode ser que tudo fique no nível platônico e que vocês nunca tenham uma vida em comum. Mas também você pode até viver um período de relativa felicidade ao lado dela, situação geralmente destinada aos mais afortunados. Até ela perceber que você não é quem ela quer.
Chega então o terceiro ato dessa tragicomédia. É quando você finalmente a vê com outro cara. Um cara. Para você, o cara não parece merecê-la. Ele não chega a seus pés, embora toque violão, ou tenha um carro, ou simplesmente um sorriso melhor que o seu. Ou talvez ele não tenha nada visível que o diferencie de você, a não ser o escolhido dela.
Sim, chegamos ao ponto crucial desta crônica: a escolha dela. Não importa que ele seja alguém sem carinho. Não importa que seja um espinho no coração dela. Pois isso não vai fazer com que ela goste de você. Estar com ele foi escolha dela e pronto, E se não for com ele, será com outro, menos com você.
Então, meu amigo, não adianta cantar "Ana Júlia", pois ela não ficará comovida. Você apenas parecerá mais patético. O que você deve fazer é esquecer tudo e seguir em frente. E esperar heroicamente a próxima decepção.

2 comentários:

Dora Delano disse...

que nada! Amores também têm a possibilidade de felicidade. E por algum momento somos felizes. Viver a realidade e menos a idealização. É meu lema agora ;)

Você é fantástico amigo... nunca pense que não merece ser feliz a dois.

Luciana disse...

Ser feliz a dois é como ganhar na loteria: não é pra todo mundo e ninguém tem culpa de não conseguir, é falta de sorte mesmo, de encontrar a pessoa certa. E de todas as tragédias que podem se abater sobre uma pessoa, isso até que não é tão ruim assim.