quarta-feira, dezembro 31, 2014

Votos para o Ano Novo

Vou me permitir desejar um pouco de tristeza neste ano novo. Um pouco de melancolia, de contemplação. Que meus olhos estejam prontos para transpirar e que essa dose homeopática de tristeza me faça parar e olhar. Porém, isso não basta. Que além de olhar, eu possa sentir. Que meus silêncios não sejam omissos. Mas que minha voz também não ensurdeça. E ainda que eu seja como o sino, não me importarei. O sino pode bem salvar a vida do desastre ou lembrar a fé, mesmo vazio em si.
Esses são votos que faço a mim, apenas a mim. Aos outros quero sempre poder desejar o melhor.

terça-feira, dezembro 30, 2014

Booktrailer de O Medalhão e a Adaga

Através da criatividade do escritor Armando Alves Neto, tive a honra de ver pronto esta maravilha: o primeiro booktrailer do meu livro O Medalhão e a Adaga. Confiram abaixo!



domingo, dezembro 28, 2014

Espiral

Jogo fugaz
um absurdo
um pouco de tudo
entrando pelos buracos
findo o tempo de lamentações
só nos resta
o gozo
o fosso
faço de conta
que sou mais forte
cruzo oceanos
desertos inteiros
e me aquieto
sereno
nesse regaço
tão pouco provável
ponto quântico
Elevado
à 13 potência
ninho ou cova
pouco importa
é meu ovo
meu voo
meu vácuo
meu único abrigo
meu lugar
Comum.

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Pesar

Com certeza ela não vem.
Bem disse o poeta:
"Felicidade é brinquedo que não tem"
Compartilho a morte do sonho.

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Recomeço - Porque a esperança ainda está lá

Rafael é um jovem de 16 anos desprovido de qualquer preocupação. Bonito, inteligente, amparado pela enorme fortuna de seus pais e pelo amigo sempre presente Léo, responsável por tirá-lo de qualquer enrascada, o garoto vive uma rotina que consiste em dirigir sua Ferrari pela cidade, ir a baladas com os amigos e estudar. Essa postura despreocupada beira o desinteresse egoísta, o que deixa seus pais muito preocupados.
E certamente a vida de Rafael seguiria sem grandes percalços, não fosse o terrível acidente em que sua namorada morre. Assombrado pela culpa, Rafael se muda para Belo Horizonte, na esperança de um Recomeço.
Assim, o leitor é convidado a acompanhar as agruras de um jovem arrasado demais para se perdoar. Segundo romance de Ledinilson Ribeiro Moreira, Recomeço mostra uma faceta bem diferente de seu antecessor, Portais. Enquanto no seu romance de estreia somos apresentados a jovens intrépidos, ousados, cercados por perigos e poderes, neste segundo livro o autor dá ênfase à sensibilidade, explora outros gêneros, como a poesia. Os diálogos são mais complexos, exigindo do autor um desenvolvimento mais aprofundado da personalidade de seus personagens.
É agradável observar a evolução da escrita de Ledinilson Moreira, bem como sua disposição em se lançar em um projeto com estilo e abordagem bem diferentes do que assumidas em sua obra anterior.
Com um toque intimista e uma narrativa tocante, Recomeço cativa o leitor já pelo título, com a forte mensagem de que, de fato, a esperança nunca deve morrer.


Ficha Técnica
Edição: 1
Editora: Dracaena
ISBN: 9788582180389
Ano: 2012
Páginas: 308

Página do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/282625ED316808-recomeco

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Sonhos de inseto

Sonhei que trabalhava na Petrobrás. A caminho do trabalho, vi o Paulo Roberto Costa com uma mala enorme pendurada às costas. Era a propina que ele não largava por nada. Ele esperava na calçada, do lado de fora da estatal, aguardando mais uma enorme remessa de dinheiro. Fugi como se ele fosse o Bicho Papão.
Subitamente, um pelotão enorme de repórteres e jornalistas se aglomeraram em frente à porta da estatal, tentando entrevistar o Paulo Roberto Costa sobre a enorme mala que ele levava. Outros executivos tentavam entrar na empresa, sendo impedidos de acessá-la enquanto não respondessem suas perguntas. Era uma multidão tão grande que nem os funcionários mais simples - e entre eles eu - não conseguiam acessar o trabalho. 
Surge então um táxi. Não era branco, como os táxis de Belo Horizonte, mas era amarelo com uma faixa azul, como usualmente era comum no Rio. Os repórteres correm na direção do veículo e logo entendi que se tratava de algum figurão. O carro parou, mas seu passageiro não desembarcou e por isso, logo em seguida, o táxi partiu. Eu sabia que o passageiro, o tal figurão, procuraria uma entrada mais discreta.
Eu finalmente consegui entrar na Petrobrás. Curiosamente, ela se parecia como um daqueles condomínios de baixo custo situados em muitos bairros de periferia. Enquanto buscava meu local de trabalho, eu falava do meu desconforto como funcionário de carreira, da vergonha em ter meu nome ligado à empresa, do repúdio e da decepção quanto aos escândalos escamoteados.
Sou então barrado por um segurança que faz questão de examinar meu crachá e usar sua posição de poder para me humilhar. Eu havia acessado a empresa por uma portaria normalmente usada pelos figurões, algo que eu não teria autorização para fazer.
Então acordei, sentindo um leve desconforto, uma sensação de injustiça, de perplexidade. E de todas as sensações que tive, concluí que nem sempre seremos arrancados de um sonho ruim através de gritos assustados ou sobressaltos.
Pesadelos também podem ser sutis.

terça-feira, dezembro 16, 2014

Tripudiando sobre a própria tristeza



Soneto da separação. Vinicius de Moraes.

É melhor tripudiar em cima de sua própria tristeza do que da tristeza alheia...

segunda-feira, dezembro 15, 2014

Sina

Solidão profunda
me inunda.
Arregaça o peito.
Não me aceito.
É a minha sorte
de ser forte.
Perdedor, contudo,
pobre e mudo.

Sigo o meu caminho.
Vou sozinho.
E me endureço.
Pago o preço
de ser diferente.
Sigo em frente
sem chegar, porém.
Sou ninguém.

Olho à minha volta.
O medo volta.
E engulo em seco.
Eu me perco
no vazio triste
que persiste
e que todavia
me alivia.

sexta-feira, dezembro 12, 2014

O Ciclo da Morte - uma inusitada parceria



Kelene e Lúcio formam uma dupla improvável. Afinal, o que um vampiro antigo ganharia ao morar com uma jovem desajustada? A aparentemente única vantagem seria a discrição da moça, algo muito interessante para um ser sobrenatural.
Mas logi o vampiro percebe que Kelene vai muito além das aparências. Caçado por um velho companheiro, atormentado por seus erros passados e contando com o auxílio de Kelene, ele se lançará em uma série de eventos que abalarão os fundamentos do mundo, pondo em risco a própria morte.
Um dos pontos mais interessantes da prosa de Thaís Lopes é seu ritmo. Com uma narrativa ágil, composta por eventos bem encadeados, a autora mantém presa a atenção do leitor até o final do livro. Outro fator que contribui para isso é a dinâmica entre os personagens, através de diálogos bem construídos que transmitem a tensão entre o vampiro e a humana. Carregando a relação com uma leve dose de erotismo, a autora evita tornar seu texto apelativo, ao mesmo tempo que escapa do romantismo moralista.
Assim, O Ciclo da Morte sem dúvida se configura uma ótima leitura, uma envolvente jornada pelos Caminhos da Morte.

Ficha Técnica
Edição: 1
Editora: Senhor da Lenda
ISBN: 9788566486025
Ano: 2014
Páginas: 372

Link para o livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/377533ED426485-o-ciclo-da-morte

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Liga de Autores Mineiros - Sessão de autógrafos dos livros da escritora Edna Barbosa de Souza



Essa é de primeira mão. Estive hoje na Leitura do Shopping Del Rey para prestigiar a sessão de autógrafos dos livros Calango Tango e Birosca quer fugir de casa, da amiga Edna Barbosa de Souza.

Abaixo, as sinopses das duas obras:

Birosca quer fugir de casa

Birosca é um peixinho sapeca e inteligente que vive na Lagoa do Parque Municipal, em Belo Horizonte. Depois que a lagoa começa a ficar poluída, Birosca decide fugir de casa. No entanto, para alegria de todos daquela lagoa, muda de ideia e mobiliza os amigos para resolver a situação.


Calango Tango: o Calango que Perdeu um Pedaço do Rabo

Calango Tango é um calango charmoso, vaidoso e convencido de ser o mais o mais veloz da rua da D. Cocota da casa do muro furado e de ter o rabo mais bonito de todos os bichos da região. Até o dia em que acontece um acidente e Calango Tango perde o seu rabo. E agora como resolver esse problema? Calango decide juntar dinheiro para fazer uma cirurgia plástica, mas a história toma outro rumo.



segunda-feira, dezembro 08, 2014

Pena

Sem subterfúgios
Frases feitas
Efeitos e
Pirotecnias.
O exagero
Pode estar
Apenas
Naquele que o vê.
Então
Deixe-me curtir a dor.
Seremos eu e o vento,
dueto de uivos.
Quero só chover.
Curtir o que apenas eu posso sentir.
Deixa-me só.
Nu e mudo
como sempre fui.

28 de novembro de 2014, às 22:53 ·

sexta-feira, dezembro 05, 2014

O Vale de Elah - uma épica viagem à Palestina

Samah é um rapaz normal, como tantos outros que povoam a Palestina no século X A.C. Divide seu dia a dia entre cuidar das ovelhas da família e admirar a jovem Nazaré, por quem está apaixonado. Mas tudo muda em sua vida quando ele se vê diante de um impasse, ao saber que, por causa de uma dívida de sua família, ele terá que se tornar escravo. O rapaz então decide fugir, acompanhado de sua irmã Adaliah e da bela Nazaré, para o Vale de Elah, onde um inusitado exército acaba de nascer.
Começam assim As Crônicas de Adulão, uma saga de amor, violência, fé e fatalidade, tendo como centro a formação do exército chefiado por Davi Ben Jessé, o mais famoso de todos os reis de Israel.
Neste primeiro volume, Samah nos apresenta a um grupo ainda inexperiente, formado principalmente por parentes do jovem Davi, um dos mais competentes comandantes do exército de Israel. Considerado proscrito pelo regime em vigor, o jovem soldado se refugia na caverna de Adulão, para onde se dirigem diversas pessoas em situação crítica: escravos fugidos, famílias endividadas, outras vítimas de perseguição política. Nomeado líder desse improvável grupo, Davi começa a treiná-los como um exército.
É interessante perceber como a autora, Carla Montebeler, constrói uma narrativa leve e equilibrada, que combina perfeitamente com a personalidade de um jovem como Samah, bondoso e cheio de ideais. Contudo, Montebeler faz um contraponto ao apresentar um Samah já velho, experiente, que olha para trás com muita saudade de seus tempos de mocidade.
Assim, O Vale de Elah torna-se uma ótima pedida para os leitores de romances épicos, como os de Bernard Cornwell e Christian Jacq.

Ficha Técnica

ISBN: 9788582731611
Ano: 2013
Páginas: 68
Editora: Multifoco

Página do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/326182ED365598-o-vale-de-elah

quarta-feira, dezembro 03, 2014

Retorno aos vídeos poéticos: Vandalismo, de Augusto dos Anjos

Bem, pessoal, boa noite! Estou de volta com as atualizações no canal que tenho no Youtube. E mais uma vez compartilho o vídeo de um poema do meu poeta favorito: Augusto dos Anjos!

Vandalismo

Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos ...

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!