quarta-feira, maio 23, 2012

Vivendo entre livros

Alguns amigos que costumam visitar este blog sabem da relação apaixonada que tenho com meu trabalho. Afinal, realizo minhas atividades profissionais cercado de livros. Sou funcionário da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte e amo o que faço.
Não seria menor meu entusiasmo quando me foi oferecida a oportunidade de trabalha no estande da Fundação Municipal de Cultura na Bienal do Livro de Minas 2012, que começou dia 18 de maio e terá seu encerramento dia 27 próximo. Já nestes cinco dias vivenciei muita coisa e sei que ainda há muito por vir.
A abertura aconteceu justamente diante de nosso estande. Contamos com personalidades ilustres, homenagens foram feitas, discursos proferidos. Em seguida, a Bienal recebeu uma avalanche de alunos. Nesse momento nosso estande se destacou.
Ao contrário dos demais estandes da feira, que em sua maioria têm como foco a venda de livros, revistas e demais artigos ligados à leitura, nosso estande tem como principal objetivo oferecer de graça a leitura em si. Montamos uma biblioteca onde as pessoas podem escolher um título para lê-lo calmamente sentado em uma de nossas poltronas. Também temos dois pufs - um deles gigantesco - para uma leitura ainda mais confortável e prazerosa. 
Sei que parece conversa de propaganda, mas esse caráter idealista do nosso trabalho meio que vai contra a ideia de uma feira de livros e isso meio que me apaixona. Cresci com a visão da biblioteca como algo distante e hoje percebo que essa distância é feita pelas pessoas, que devem vencer preconceitos e usar esse espaço para exercício de sua liberdade de leitura.
De qualquer maneira, em muitos casos sofremos um pouco com o clima convidativo do estande. O puf enorme chama a atenção da criançada e muitas vezes eu tive que fazer valer toda a minha voz para evitar que os meninos o transformassem em pula-pula. Outro motivo de tristeza vem dos ladrões que acreditam poderem se apropriar do que é público pelo simples fato de estar à mão. 
Enquanto estive no estande nestes últimos dias, recebi amigos e conhecidos. Presenciei escritores e artistas transitando como verdadeiras celebridades, enquanto outros deles passeavam com a família, num típico programa de domingo. 
A experiência tem sido gratificante e desafiadora. Estou adorando. Não é por menos. Há quatro anos atrás, em uma outra edição da Bienal, sonhei trabalhar num evento como esse. E aqui estou eu. Muito ainda tenho que relatar, mas deixo para outros momentos, pois o que sinto com mais intensidade nestes dias de intensa correria ainda não consigo traduzir em palavras.

6 comentários:

Diego França disse...

A bienal é realmente uma feira que é gratificante para o incentivo à leitura. Vou a todas as feiras quando acontece aqui em Salvador e como visitante já fico maravilhado, imagino quem trabalha e participa desse grande evento.

O legal é ler uma pessoa descrevendo algo assim com tanto amor! Se mais pessoas fossem como você...

realmente a leitura não está tão distante, as pessoas se distanciam e e por isso que o incentivo do seu estande vale muito. Muito boa a ideia da leitura "gratuita".

-Demorei mas apareci novamente.
Abraço, Diego.

Lourdinha Viana disse...

Parabéns, Samuel,pelo seu trabalho, não só na Bienal mas principalemnte no seu trabalho diário, na Biblioteca Infanto Juvenil,sempre incentivando a leitura.

Nerito disse...

Oi Diego, valeu pelos comentários. Acabei de voltar de mais um dia na Bienal e estou bem cansado. É muito bom ver as palavras de incentivo.

Nerito disse...

Lourdinha, você é uma grande parceira e tem acrescentado muito ao nosso trabalho lá na Biblioteca. Abraço!

Cíntia Almeida disse...

Que linda, essa sua paixão.

Tyr Quentalë disse...

A bienal de Brasília foi bem interessante, pois havia os estandes comerciais, como você bem explicou, assim como tinha alguns voltados para as crianças. Quanto aos roubos que ocorrem nesses eventos, acredite Nerito, isso sempre acontece, por mais que tentem evitar e o motivo é simples, em minha opinião, algumas pessoas são compulsivas ao ponto de atravessarem o limiar que não devia ser atravessado, ou seja, o respeito pelos livros e por aqueles que ofertam a gratuidade de um serviço como o que vocês fizeram no stand que você trabalhou.